Ana e o Visitador
Palavreio e me visito. Assim, me vejo.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Inicia 2012. Visita constante do tempo - "Inseto Perseverante".
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Visita de um crápula (um narrador que não consigo parar de ler)
terça-feira, 29 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
domingo, 6 de novembro de 2011
Visita bem de dentro de mim.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Visita de urso hibernante.
Cheguei a perder domínio; no mínimo, abandono de mim.
Retomar, reviver...Urgências.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Visita do inverno.
Que a grande noite traga o sol. Que Ele não esqueça de aquecer a umidade do sul.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Pés nas Minas (2) - Gerais puxando o fio da Arte.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Visita para que não esqueçamos de usar as forças do bem .
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
domingo, 14 de novembro de 2010
Sobre História de Não Acontecer, de Reges Schwaab.
Quando podemos sentir o movimento de outro, nosso corpo segue junto, arrastado pelo território da curiosidade. Mesmo quando intuímos que os olhos ficarão molhados.TEDx Porto Alegre - sábado, 13 de novembro. Paixão que Inspira.
Inspirada por todos os demais palestrantes e pessoas das quais conheço tantas ações importantes no dia-a-dia, tantas a conhecer e fazer, tantas intervenções no coletivo, tanto a empreender.
Participar do TEDx Porto Alegre foi instigante experiência.
Fica como texto chave:
mudança de paradigmas para assimilar e transitar num novo mundo onde a tecnologia cresce de maneira exponencial. Sem espaço para pensamento linear e cartesiano.Sem espaço para individualismo.
Inovar, solidarizar-se, atuar socialmente, emprender.
http://tedxportoalegre.com.br/2010/palestrantes/
domingo, 7 de novembro de 2010
Filho Augusto autografa na Feira do Livro 2010.

sábado, 25 de setembro de 2010
No dia do meu aniversário.
"Que a casa tem vista para o mar, já era sabido há mais de vinte anos. Mas que o mar está do lado de dentro das janelas; e que acima, onde gravitam as virtudes e os sentimentos mais elevados, existe outra casa idêntica refletida, isto não seria possível desvendar, até se adentrar os recintos levando uma maçã envolta em magia logo nas primeiras visitas. E muito cedo se descobre também que ela foi construída e decorada com tal arte e apuro que cada um dos seus recintos segue a ordem de um planeta, e os seus móveis e utensílios repetem o mapa das constelações e a localização dos astros mais luminosos. Os afazeres na casa, desde os mais triviais, até os com a máxima carga de sensibilidade, determinação e beleza – não raros–, são regidos pelo arranjo do firmamento da data vigente. E desta forma, os dias na terra e as noites no céu passam a se espelhar.
Assim sendo, olhar pelas suas janelas é como entrar em equilíbrio e consonância com todo um universo de paz, harmonia, criatividade, alegria e volúpia em forma de práticas extáticas incluindo risos e sorrisos da melhor e mais pura qualidade."
Obrigada, Lehgau-Z.
Como é bom sentir-se bem.
domingo, 27 de junho de 2010
Revendo uma entrevista antiga. Saramago brilha sempre.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
É tanta água - Marisa Rotenberg e Gelson Oliveira
"Caros amigos,
FICHA TÉCNICA
Título: É tanta água
Ritmo: Ijexá com especial indígena
Autores: Marisa Rotenberg e Gelson Oliveira
Intérpretes: Gelson Oliveira e Marisa Rotenberg... Ver mais
Produção musical: Marisa Rotenberg e Gelson Oliveira
Voz Cherokee: Tchiya Amet (EUA)
Violão e baixo: Gelson Oliveira
Percussão: Ismael Oliveira, Fernando do Ó, Giovanni Berti e Marquinhos Fê
Arranjo de quarteto de cordas e 1º violino: Arthur Barbosa
2º violino: Rodrigo Bustamante
Viola: Gean Veiga
Violoncelo: Carla Pacheco
Gravado no Estúdio Soma por Tiago Becker (RS)
Mixado no Estúdio Transcendental por Léo Bracht (RS)
Masterizado no Estúdio Magic Master por Ricardo Garcia (RJ)
Seguem aqui os links:
http://www.youtube.com/user/giseleofficial
www.projetoagualimpa.org.br
Aqui o vídeo com a música:
http://www.youtube.com/watch?v=02B0JF3phbQ&feature=player_embedded
Boa audição!
Beijos,
--
Marisa Rotenberg
Ouça canções do CD Boa Hora:
www.myspace.com/marisarotenberg
domingo, 13 de junho de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
errud!to: 517. as primeiras "cores" de um projeto - leia Reges.
Comparsa Reges, postando em seu blog seu olhar sobre nós três e nosso terceiro (e definitivo) ano de escrivinhação literária.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Março - depois da praia, do mar...
Retomar palavras, cores e linhas é missão pra todo dia.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Depois da Bienal de 2009, em Porto Alegre.
domingo, 6 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
This is It
MJ continuará vivo por muito tempo. This is it.
http://www.youtube.com/watch?v=cyrkcz7msfY
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Tito, meu pai, doce e comovente
Publicado hoje (pena que cortaram os travessões dos diálogos) no Jornal do Comércio de Porto Alegre http://jcrs.uol.com.br/jc/site/noticia.php?codn=6978
Adoro tu, meu pai!!!
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Traqitanas em metamorfose
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Vigésima quinta visita: Sirena em fuga
Frágil Fortaleza.
Areia. Para os lados. Cada olhar dirigido, muitos grãos indefiníveis. Em frente, o mar.
Nos últimos minutos, somam-se algumas batidas de asas, as gaivotas voam muito próximas, é como se ela nem estivesse presente, talvez já fosse invisível, talvez Afrodite ao avesso, não nascendo das espumas do orgasmo de Zeus, quem sabe virada em onda.
Cada lambida do mar torna seus pés mais murchos, no processo de virar espuma. Salgada espuma escorrida na areia. Cada punhado pinga por sua mão e mais uma torre está pronta. Construção abençoada por Gaudí, condenado castelo que combina com o que deixou: sopro, inconsistente vida.
Existe algo que permanece constante. Insistente, recorrente, consistente: lembrança. Só o que move seus pulsos (ainda pulsam), só o que permite que junte areia.
Lembra que andou pelo mundo, que o encontrou em um castelo, aquele que foi seu Rei , mas também sua armadura, que precisou sumir, que não podia fugir de seu destino de sereia. Ser espuma, ou ser areia. Também não esquece dos olhos nublados da maresia que ela provocava. Aqueles que eram febris: por ela, por ela, por ela. Aqueles que já eram dela.
Ela se foi. Sirena abandonou seu reino cercado de muralhas, protegido dos perigos, no alto da montanha. Sirena se foi. Abandonou aqueles braços, tão seus em torno de si, tão fortes a afastá-la do medo, e as pernas que já andavam por ela.
Agora é só areia. Além, oceano.
A mulher levanta, tudo está feito, dá as costas ao mar. Não é espuma, tem pernas fortes, ajeita a mochila nas costas e segue a claridade das luzes que já aparecem, nem tão longe. Pegará o próximo ônibus, qualquer lugar que não o mesmo.
Tem uma onda bem forte que dissolve a fortaleza. Resta uma torre. Alguém, dentro, acompanha os pés, as pernas que se afastam.
Um rei fecha seus olhos, engole seco. Areia.
sábado, 23 de maio de 2009
Um poema de Benedetti, de amar e longe estar.
porque te pienso
porque la noche está de ojos abiertos
porque la noche pasa y digo amor
porque has venido a recoger tu imagen
y eres mejor que todas tus imágenes
porque eres linda desde el pie hasta el alma
porque eres buena desde el alma a mí
porque te escondes dulce en el orgullo
pequeña y dulce
corazón coraza
porque eres mía
porque no eres mía
porque te miro y muero
y peor que muero
si no te miro amor
si no te miro
porque tú siempre existes dondequiera
pero existes mejor donde te quiero
porque tu boca es sangre
y tienes frío
tengo que amarte amor
tengo que amarte
aunque esta herida duela como dos
aunque te busque y no te encuentre
y aunque
la noche pase y yo te tenga
y no.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Vigésima terceira visita - sobre dedos, agulhas e bonecas

Era uma vez eu, uma guria criada no interior, que soltava as tranças depois da aula e ficava pelas ruas, casas dos primos, pulava muros, andava por terrenos baldios e subia em árvores. Jogava bola com os guris no meio da rua na frente da casa das tias. Percorria pomares e hortas, aprendia a fazer doces no tacho, no pátio das casas antigas. Tinha uma tia que mexia o doce de uva ou marmelo, fumegante. Ela era uma bruxa boa com seu nariz comprido e avental surrado.
Aprendi a juntar , sem nenhuma técnica apurada, os paninhos da criancice.
sábado, 2 de maio de 2009
La Traquitana Vulnerável - Música fictícia democrática paradoxal psicossomática.
domingo, 15 de março de 2009
Vigésima primeira visita : para por em forma meu andar-andor.
Terabítia.
Entre dentinhos separados sai a palavra, risadinha, sorriso contente. Criança. Os filhos da gente, os dos outros. Catando lixo nas favelas indianas, Athos, Porthos e? (Responda e será milionário!) Cara feia, troll gigante com coceira entre os dedos do pé.
Vemos paisagens assim que fechamos os olhos, se dentro é janela aberta. Aquarelas coloridas onde olhos escancarados enxergam borrões. Vendo e não olhando criança mutilada, perseguida, oprimida-opressora dos colegas: quem pode com criança maltratada?
Tem fronteira pra se cuidar de criança? Tem fronteira para plantar violetas?
Adultos, abrimos os olhos. Hora de viciar em realidade. Precisamos tanto enxergar: e as janelas se fecham. Mais comum é virar mato sem graça, onde haveria violetas. Mais comum é ser comum. Até o inconcebível descaso. Até ignorar que é merecido viver, por simplesmente estar vivo. Até porque vida existe, mesmo que, de olhos bem abertos, nem consigamos vê-la.
(Disse Leslie para Jesse: “Feche os olhos, mas deixe a mente bem aberta”. Depois de ver Quem quer ser um milionário e, tardiamente, Ponte para Terabítia, me lembro que ainda sou capaz de fechar os olhos.)
sábado, 28 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Até que enfim, décima nona visita: de dentro.
Ano do búfalo, ano meu, digerir depois de muito ruminar. Igual a este fazer regurgitado: escrever, fatoato que me reconstitui ao meu inteiro.
Retomar o que se pode, em palavras. Dizer alinhavos nas letras é costurar panos por dentro. Como as mulheres aprendem com as tias e avós. Patchwork da alma.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Da visita de uma amiga, para encerrar 2008.
Carla Seabra.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Das visitas natalinas...
Du Andy e a lenda de natal (www.khzine.blogspot.com)
E HO, HO, HO a todos!
sábado, 13 de dezembro de 2008
Visita da vida, pela manhã.
Celia Thaxter (1835-1894)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Décima quinta visita: de como é natural humano ser.
Eis que o homem anda pelo velho e conhecido caminho, retorna de uma margem à qual tantas vezes recorre, na sua busca do que não sabe. Sempre ir e vir, movimento necessário.
Mas toda trilha caminha, diz a letra da música. Pra te encontrar. Te encontrar eu quero. Teu nomezinho carrego no meu patuá (é, diz a letra da música).
Sem esse querer pelo que os sentidos cheiram, olham, ouvem, lambem, tocam, ora, que graça teria o mundo? Pensamento humano, demasiado.
Pessoa, sentidos ardentes, paixões a latejar, será que a margem precisa atravessar? A maldade, a vaidade, amar a vida não é traição (ai, a letra, a melodia...). Para deleite dos sentidos, esta a força de estar vivo.
Ardência. Viver é agridoce.
Humanos, aqui estamos (sendo que o mundo termina logo ali): há algo melhor que tudo saborear?
Simples homem, sujeito a sua condição, na cadeia de seu corpo e dos desejos, negros olhos da Medusa (agora Lenine a me guiar).
Sabor e ar. Homem aqui, neste lado da margem. Sim, homem-sentidos. Vez por outra, também Buda na outra margem.
E a terra ciranda a rodar. Voz doce a (en)cantar. Eu, a escutar.
(Ouvindo a voz da amiga Marisa no seu Boa Hora, me deu uma vontade de escrever...)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Décima quarta visita: da dificuldade de Zen ser.
E lá está Buda, no outro lado da margem, sereno. Eliminada, sem fim, a morte, paixões quebradas, saltou do oceano das misérias para a realização do Nirvana.
“O mundo de destinos miseráveis é comparável a um grande oceano, e os sentimentos e pensamentos dos seres vivos à ausência de margem. Eles são ignorantes e não sabem que as ondas crescentes de inconsciência são as causas da ilusão e das ações kármicas que resultam no ciclo infinito de nascimentos-e-mortes. Seus sofrimentos são inexauríveis e eles são incapazes de atravessar o oceano amargo da mortalidade. Portanto, isto é chamado de à margem.”
Assim, ele fala no seu não falar, silencioso. Assim, ele fala em sua-voz-em-outras, de Han-shan Te ch’ing ou qualquer mestre zen que ilumina.
Então, o homem, nesta margem. Imortal, porém igual, o que é nada, nada arrepio, nada vento no pescoço. Corre atrás de ecos, eles a perseguí-lo, pensa em livrar-se da morte. Ilusão, a vida. Infinito fragmento: estar, inconstante.
“O coração [mente] mencionado é o coração da grande sabedoria que alcança a outra margem. Não é o coração humano que os homens mundanos usam para pensar erroneamente. O homem ignorante não sabe que fundamentalmente possui o coração da luz brilhante da sabedoria.”
O coração mundano continua perseguindo luz. Nada sábio, pensa-se assim. Assim, pensa sentir. Pensando, há somente o mero inchaço de músculos bombando sangue. Do sentimento, apenas reconhecidas as sombras do apego, estimuladas pelas circunstâncias. Assim, pensamentos-sentimentos sucedendo-se, cadeia incessante.
Buda sorri.
“Apenas o Buddha estava consciente da verdadeira sabedoria fundamental que pode iluminar e quebrar o corpo e o coração dos cinco agregados, que são não-existentes e cuja substância é inteiramente vazia. Portanto, ele saltou da aparência e alcançou a outra margem instantaneamente, cruzando assim o oceano amargo."
(Avalokiteshvara, o bodhisattva da verdadeira liberdade. O corpo e os cinco agregados são apenas o vazio).
Buda sereno.
“Após esta realização, onde os sofrimentos não poderiam ser aniquilados? Onde os grilhões do karma seriam algemados? Onde estaria o argumento obstinado sobre o ego e a personalidade, sobre o certo e errado? Onde estaria a discriminação entre falha e sucesso, entre ganho e perda? E onde estariam os embaraços em coisas como riqueza e honra, pobreza e desonra?
Shariputra!
(Este era o nome de um discípulo do Buddha. Shari: pássaro com olhos penetrantes. A mãe dele tinha os mesmos olhos penetrantes e foi chamada com o nome do pássaro. Então o próprio nome dele era o filho [putra] de uma mulher que tinha olhos de shari. Entre os discípulos do Buddha, ele era o mais sábio.)
A forma não difere do vazio, nem o vazio da forma. A forma é idêntica ao vazio e o vazio é idêntico à forma. Assim também são os cinco agregados em relação ao vazio.”
Enganado, o homem no lado de cá, confinado em seu corpo, nada pode quanto ao nascer-morrer, nem quanto ao ir-e-vir. Também não pode quebrar a visão mundana de que a personalidade é permanente. Faz planos para um século sem realizar nada já, nem pode, com corpo ilusório, corpo submisso às quatro mudanças, nascimento, velhice, doença e morte, de momento a momento, sem interrupção, rumo ao resultado último, óbvia constatação de que é impermanente: retornará ao nada. E ainda não terá alcançado o limite da lei fundamental: o vazio absoluto. "A forma não difere do vazio.”
Com a contemplação errada e com a realização resultante de que a forma difere do vazio, o homem persegue trôpego em sua avidez por som, forma, riqueza e ganho, e completo apego às paixões do cinco desejos surgidos dos objetos dos cinco sentidos — às coisas vistas, ouvidas, cheiradas, degustadas ou tocadas.
E lá está Buda. Na outra margem.
“Shariputra, toda a existência é vazia, não há nem início nem fim, nem pureza nem mácula, nem crescimento ou declínio. Portanto, com o vazio, não há forma, não há agregados; não há olho, ouvido, nariz, língua, corpo e mente; não há forma, som, odor, sabor, toque e objeto do pensamento; não há conhecimento, ignorância, ilusão e fim da ilusão; não há sofrimento, declínio, morte, fim de sofrimento e morte; não há conhecimento, ganho e não-ganho.”
O homem do mundo mira a outra margem. Mente cheia, pesa. Anda na beira. Volta. Vai. Homem tropeça. Cai n’água. Esperneia engasgado. Buda mira. Sai da água, homem molhado. Olha ao redor. Ninguém vê – ainda bem – que vergonha. Desiste da água, demais oceano. Volta pelo mesmo caminho. Ego humilhado pesa mais. Mente cheia.
Buda ri. Fecha os olhos. Assim ele fala no seu não falar, silencioso.
(Preso em aspas, falou Han-shan Te-ch’ing. 1576-1623)
Espalhando. Porque merecemos este deleite literário.

Eu era um Romeu e sangrava. Mas ninguém notava."
Acesse: http://www.mojobooks.com.br/mojo_tx.php?idm=190
Para desfrutar de literatura em grande estilo, leia FROM A MOTEL 6 #1, de Lehgau-Z Qarvalho, publicado no site Mojo Books.
Presente escrito para ser lido e relido, para levitar entre as frases, ir de lado a outro, flutuar em sensações de ritmo e poesia contada. Lehgau-Z faz isso: devora sentimentos que também temos, cotidianos que vivemos, nos digere e nos retorna tudo em palavras-presentes. Traduz com maestria nossos sentires mais viscerais. É um dos comilões inveterados das emoções cotidianas. Mas dos raros, daqueles capazes de sair vomitando Arte por aí...
Divulgando. Porque sereias devem ser ouvidas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Visitando Gilberto Freyre - Interprete do Brasil ( e sendo bem impressionada)

O tempo amanhece e anoitece, morre e renasce, como se existisse para o homem, dentro do homem; e não fora dele. (O brasileiro entre outros hispanos, Gilberto Freyre.)
Após abraçar meus talentosos amigos Reges e Edgar, que autografavam na Feira do Livro, percorri as ruelas encadernadas, pisando o calçamento tingido de lilás-flor-de-Jacarandá (que vibra mais no tom nublado da feira).
De tanto tropeçar em pessoas, me escondi no Santander Cultural, aproveitando para matar a curiosidade de como estariam instaladas as exposições de Gilberto Freyre e Ariano Suassuna.
Eis que adentro numa "Casa Grande" de mui hospitaleiro acolhimento, recebida por uma azulejada parede, com as fotos de Freyre a me mirar.
A proposta desta mostra, promover um diálogo de reflexão entre o Nordeste e o Sul do País, nos encaminha por dois veios da matriz cultural nordestina, andando com Freyre, a partir da Zona da Mata pernambucana, e com Suassuna, a partir do sertão.
Consegui ficar no primeiro andar ( a zona da Mata), tal o prazer de percorrer a casa branca e grande, cumprimentada por gigantesca dama, indo de quartos a cozinha e sala de jantar, abrindo portas de armários, ligando microondas ou abrindo geladeiras; encontrando, lá dentro, deliciosas frases do nosso Gilberto Freyre - sem dúvida: Intérprete do Brasil.
São cerca de 200 obras, entre elas, instrumentos de suas pesquisas (podemos ouvir entrevistas gravadas por ele), manuscritos originais e primeiras edições de seus livros, documentos pessoais, cartas a amigos, fotografis pertencentes à família, singelas pinturas, uma surpresa: como hobby e intenção do registro etnográfico, Freyre desenhava, pintava e presenteava amigos e parentes com suas obras.
Todo este conteúdo, sob a delicada curadoria de Julia Peregrino, Elide Rugai Bastos e Pedro Karp Vasquez, distribui-se em ambientes cenográficos criados por André Cortez. A grande instalação consegue nos deixar em intimidade com a obra de Freire; mais ainda, como ele, em intimidade com o Brasil dos costumes cotidianos, das comidas, das roupas e cheiros da vida e língua do povo que ele olhou e valorizou amorosamente, na sua diversidade e unidade cultural.
É emcionante abrir gavetas e encontrar, vivamente, Gilberto Freire em frases cheirosas, ou abrir uma geladeira e degustá-lo em suas palavras doces.
Depois de me fartar de Freyre, ver Suassuna vai merecer outro dia de visita. Não seria digno visitá-lo, então, somente para o cafezinho... Agendarei bastante tempo para saborear Suassuna com todo o vagar, aquele que o Sertão merece, numa próxima visita.
"Gilberto Freyre - Intérprete do Brasil é a terceira grande mostra de artes visuais realizada pelo instituto em 2008. É também a segunda vez que o Santander Cultural dedica uma mostra deste gênero à Feira do Livro - a primeira foi em 2004, durante as comemorações dos 50 anos do evento, com OLHO VIVO - a arte da fotografia, que reuniu os 50 Anos de Europa de Cartier Bresson e 50 Anos da Arte Fotógrafica Brasileira, abrangendo obras do acervo do Museu de Arte Moderna - MAM de São Paulo.
A exposição, que foi criada e exibida originalmente no Museu da Língua Portuguesa, fica em cartaz no Santander Cultural até 15 de fevereiro e terá diversas atividades simultâneas e de estímulo à leitura. Serão oficinas, encontros e sessões interativas com teatro, música e audiovisual no hall do instituto, com a participação de ONGs, atores e escritores convidados."
http://portalliteral.terra.com.br/artigos/exposicao-dos-mestres-nordestinos-gilberto-freyre-e-ariano-suassuna
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Das visitas às previsões...
Chegados do oceano mais oriental, sistemas de baixa pressão impulsionam um ar mais frio.
A nebulosidade diminui e o sol reina novemente. Noite fria...
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Previsão para hoje
sábado, 18 de outubro de 2008
Das cinco visitas: memórias de Sirena e Ferdinando - como se fosse hoje.
Bandeira e vulcão.
Atrás dele, oceano. Nos olhos, o cabo, molhada praia, escancarada mata.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
A quarta visita: de Sirena a si - reflexões.
Vejo-me com a mesma forma e tamanho, por vezes atrás de mim, porém sempre a olhar-me invertida. Raios partem de meus olhos e os atingem, clonados em frente a mim. Como flechas na pele, recebo luzes velozes que percorrem uma trajetória angular. Tenho a impressão que vêm de algo imaterial, minha própria aura em linha reta, mentalmente prolongando os raios refletidos, em sentido contrário, para trás de mim.
Possivelmente teria nascido da superfície da água. Restos meus foram descobertos nos despojos da civilização Badariana, junto ao rio Nilo, história inscrita em lâminas de cobre, deixadas no quinto milênio antes de Cristo.
Hoje, vulgar e tão banal, sinto-me qual um metal gelado, coberto por uma gasta camada de prata, ou amalgamada a mim mesma, constante e previsível, lâmina de qualquer metal barato, depositada sobre minha face pálida de vidro gélido.
Não passo disso: uma superfície plana que se produz em visões virtuais, completamente simétricas de eu mesma. Enatiomorfa: olho-me e só tenho isso a dizer; ofendo-me, então, com palavra tão esdrúxula.
Impossível projetar-me num alvo, nunca poderei morrer. Sigo na frieza de feixes de luz paralelos, sem jamais tocar-me. Sou muitas e nenhuma.
Virtual e reflexa, jamais sentirei a plenitude de estar viva.
(Sirena visita sua imagem, no espelho.)
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Visita recomendada - pequeno comercial
Fiz e recomendo.
Foram esta oficina de conteúdo inspirado e o grupo que se formou, de professor e colegas sensíveis e talentosos, que me permitiram dar ao que escrevo um perfil mais metódico, estruturado e criativo. Era o fundamental incentivo de que eu precisava para ter a segurança de compartilhar minhas escrivinhações.
OFICINA INTERATIVA DE CRIAÇÃO DE PERSONAGENS - com Lehgau-Z Qarvalho
QUINTAS-FEIRAS À NOITE (a partir das 19 horas). Com início em 23 DE OUTUBRO. HISTÓRIAS são feitas com e por personagens. São eles o elemento central de todo e qualquer enredo. Portanto, antes de pensar em construir uma boa história, é imprescindível que os personagens sejam muito bem delineados, para que passem a “existir” no imaginário do leitor; e façam da trama uma boa história.INSCRIÇÕES na PALAVRARIA (Vasco da Gama, 165 – Tel: (51)3268.4260 – Bairro Bom Fim – Porto Alegre – RS) ou lehgauz@yahoo.com.br
http://www.lehgau-z.blogspot.com
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=14292602005679285857
CURSO DE INTRODUÇÃO À ESCRITA LITER[ÁRIA http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.as
domingo, 5 de outubro de 2008
Duas visitas: de Ferdinando, sobre si e Sirena.
I
Ferdinando é o meu nome.
Uma visita de Sirena
Sirena, a lua,o mar, os outros.
Lua crescente, quase cheia.
Cada vez que chego perto do mar, alguma coisa me chama nele, sei que um dia serei dele, seremos um, eu e mar, mar Sirena, Sirenamar.
Girar mundo pelo mar. Bem, basta a Terra, já que ir até a lua vai demorar um pouco mais. E deve ser muito chato por lá. Isso eu vou fazer: girar a Terra inteira, pelo mar! Poderia ir nadando, mas barcos e navios são confortos que me atraem. Voar também é uma possibilidade interessante, talvez pra quebrar algum galho. Mas o mar... Ah,o mar...
Só trocaria viagens marítimas por viagens de guarda-chuvas. Mas eles não me levam muito longe: daqui para ali, só isso.
Nossa, isso foi um grito? Foi um grito! O barulho vem do mar!
Tá, rápido, Sirena, corre, putz, não vejo nada, só queria ver o que está acontecendo, que escuro, nossa, tem gente lá dentro d’água, ai, é lá, não posso ir, sabe lá o que está acontecendo, ai! Água gelada! (pensa que ela não gostou? Adora este arrepio...) Ai, que medo, Deus me ajude, que eu faço, putz, vou lá, azar, vou lá, saia que me incomoda, droga, ai,ai.
(Prazer, medo e prazer, água fria, mão do mar, leva a sereia, leva a sereia...)
Pessoas, sim, são duas, barulho, água, sufoco, movimento, engasgue, AFOGAMENTO!
(Seus olhos enluarados já vêem claramente; seu corpo precisa ir, ela precisa fazer alguma coisa.)
- Pára! Larga! Laarga!
- Sai daqui!
- Solta!
(Luta, Sirena ataca: homem forte x mulher frágil. Muda o foco: pessoa sendo afogada – mulher 1- foge, busca a praia. Sirena – mulher 2 – quase afogada.)
- Maria! Vem cá! ( Muda o foco: homem segue mulher 1; mulher 2 abandonada no mar)
Meu mar... Me leva... Quem sabe agora me torno espuma, quem sabe água, quem sabe sal...
( Não adianta, Sirena ainda não é seixo, nem concha, nem peixe: o mar, suave, a devolve `a areia.)
Ai, dói tudo, ai,olha lá, são os dois! Se abraçando. É ela! Está abraçando o canalha! Ah, não! Vou lá!
- Escuta, ‘ta’ consolando o canalha?
- É o meu marido, não é canalha!
- Como assim? Ele estava tentando TE MATAR!
- E o que tu estavas fazendo lá na água?
- EU?! Tu tentavas matá-la, o que tu achas que EU estava fazendo lá?
- Qual é a tua, garota, que história é essa de ‘te meter’ em nossa vida?
- Vem, meu amor, vamos embora! Eu cuido de ti. Tem gente louca por aqui!
Os cabelos dela parecem cracas.
( Sai o casal. Sirena, pasma.)
Lua, lua, me busca, lua. Selenitas também serão assim?
Bela lua... Assim morrem as mulheres, nas mãos dos homens que protegem...
( Folha de São Paulo, 25 de fevereiro de 2008: “Corpo de mulher, carbonizado, é identificado pelo marido.”
A foto: marido desolado.Sirena sente um arrepio percorrendo sua coluna.




























