sábado, 18 de outubro de 2008

Das cinco visitas: memórias de Sirena e Ferdinando - como se fosse hoje.

Bandeira e vulcão.

Um promontório avança, esparrama espumas circundantes, molhadas olas à vida de penhascos, rochas esbofeteadas, violentas, las olas vêm e vão.

O navegante avança, desbrava, feroz guerreiro forjado em Sagres, além-mar.

Atrás dele, oceano. Nos olhos, o cabo, molhada praia, escancarada mata.

A bandeira é fincada, o escudo é soberano.

Lá em cima, olhando tudo, séculos vividos, a lua é outra mata, bandeira americana penetrada, satélite agora azul, vermelho e branco. Lua fincada, astro bandeira pop em um céu de outro século. Olho eterno que tudo fita. Sempre ontem, sempre hoje. Sempre lua e universo.

Sempre o homem branco, pesadas armas, pólvora, pólvora. Canhões, pesadas bolas. Carabinas, escopetas ou mísseis ultra-sônicos. É o homem, seu fogo, suas naves e navios. Explorar, penetrar, Matar ou amar. Alma urgente.

A mata, o promontório explode. Solta faíscas, brada, buraco aberto na terra. Terra farta, sementes molhadas, folhas secas, grandes cuspidas de fogo, labaredas por entre areias, praias, lânguidas ondas que roçam areias, sibilantes espumas que lambem a praia e o calor, insuportável calor.

Fogo de homem e suas armas para fora. Fogo de chão e suas lavas. Por dentro. Maresias, náuseas interiores, vômitos incontidos, impossíveis de engolir.

Grito do homem, de guerra, ancestral. Grito da terra, aberta ferida. Buraco, quente vulcão estraçalhado, lava que arde, salta,tudo cobre, queima areia, evapora espuma, mar que sobe em vapores salgados.

A noite se faz, a lua é rainha, ela e sua bandeira fincada; estrelas, muitas. Brilhos de fogos, incandescentes estrelas, noturnas e efêmeras em sua imensidão secular.

Findam erupções e maremotos. Restaurada a fugaz eternidade, tudo descansa.

Arfantes, seus ventos aquecem seus pescoços. Toda linguagem é cristalina, seja a do olhar com que se olham, ou do luar que a eles vê.

3 comentários:

Edu Cezimbra disse...

Olá querida amiga!
Gostei demais do teu texto poético!Antevejo que teu blog vai se sentir em casa na Rede Transcultural Holista(na página principal tem uma mostra variada)que está reunindo uma seleção internacional de blogueiros,entre outros talentos.
Um excelente fim-de-semana!
ABC (Abraço e Beijo do Cezimbra)
http://transnet.ning.com

Vera Janete disse...

Aninha, minha amiga....... cada vez que leio um texto teu, minha admiração se renova. Te vejo poeta das palavras que me leva a viajar, vislumbrar cenas, ora doces e calmas como estrelas, ora fortes e ruidosas como trovões....num jeito muito próprio e singular que já vejo como retrato teu.
Continua sempre nos presenteando com tua criatividade..... e tenha certeza.... o privilégio é nosso!!
Beijão, amiga!!!

Magali disse...

Oi Ana
Que lindo teu blog...que legal que é encontrar significados e inventar outros através da palavra escrita...parabéns.Beijos da Magali (Kamin)

Arquivo do blog