sexta-feira, 7 de novembro de 2008


Houve no Brasil uma maçonaria de mulheres ao lado da maçonaria dos homens, a das mulheres se especializando nisto: em guardar segredos das receitas de doces e bolos de família.(Açúcar, Gilberto Freyre)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008


Sem açúcar não se compreende o homem do nordeste. Há um gosto todo especial em preparar um pudim ou um bolo por uma receita velha de avó. (Açúcar, Gilberto Freyre)

Visitando Gilberto Freyre - Interprete do Brasil ( e sendo bem impressionada)


O tempo amanhece e anoitece, morre e renasce, como se existisse para o homem, dentro do homem; e não fora dele. (O brasileiro entre outros hispanos, Gilberto Freyre.)


Após abraçar meus talentosos amigos Reges e Edgar, que autografavam na Feira do Livro, percorri as ruelas encadernadas, pisando o calçamento tingido de lilás-flor-de-Jacarandá (que vibra mais no tom nublado da feira).
De tanto tropeçar em pessoas, me escondi no Santander Cultural, aproveitando para matar a curiosidade de como estariam instaladas as exposições de Gilberto Freyre e Ariano Suassuna.

Eis que adentro numa "Casa Grande" de mui hospitaleiro acolhimento, recebida por uma azulejada parede, com as fotos de Freyre a me mirar.

A proposta desta mostra, promover um diálogo de reflexão entre o Nordeste e o Sul do País, nos encaminha por dois veios da matriz cultural nordestina, andando com Freyre, a partir da Zona da Mata pernambucana, e com Suassuna, a partir do sertão.

Consegui ficar no primeiro andar ( a zona da Mata), tal o prazer de percorrer a casa branca e grande, cumprimentada por gigantesca dama, indo de quartos a cozinha e sala de jantar, abrindo portas de armários, ligando microondas ou abrindo geladeiras; encontrando, lá dentro, deliciosas frases do nosso Gilberto Freyre - sem dúvida: Intérprete do Brasil.

São cerca de 200 obras, entre elas, instrumentos de suas pesquisas (podemos ouvir entrevistas gravadas por ele), manuscritos originais e primeiras edições de seus livros, documentos pessoais, cartas a amigos, fotografis pertencentes à família, singelas pinturas, uma surpresa: como hobby e intenção do registro etnográfico, Freyre desenhava, pintava e presenteava amigos e parentes com suas obras.
Todo este conteúdo, sob a delicada curadoria de Julia Peregrino, Elide Rugai Bastos e Pedro Karp Vasquez, distribui-se em ambientes cenográficos criados por André Cortez. A grande instalação consegue nos deixar em intimidade com a obra de Freire; mais ainda, como ele, em intimidade com o Brasil dos costumes cotidianos, das comidas, das roupas e cheiros da vida e língua do povo que ele olhou e valorizou amorosamente, na sua diversidade e unidade cultural.
É emcionante abrir gavetas e encontrar, vivamente, Gilberto Freire em frases cheirosas, ou abrir uma geladeira e degustá-lo em suas palavras doces.

Depois de me fartar de Freyre, ver Suassuna vai merecer outro dia de visita. Não seria digno visitá-lo, então, somente para o cafezinho... Agendarei bastante tempo para saborear Suassuna com todo o vagar, aquele que o Sertão merece, numa próxima visita.


"Gilberto Freyre - Intérprete do Brasil é a terceira grande mostra de artes visuais realizada pelo instituto em 2008. É também a segunda vez que o Santander Cultural dedica uma mostra deste gênero à Feira do Livro - a primeira foi em 2004, durante as comemorações dos 50 anos do evento, com OLHO VIVO - a arte da fotografia, que reuniu os 50 Anos de Europa de Cartier Bresson e 50 Anos da Arte Fotógrafica Brasileira, abrangendo obras do acervo do Museu de Arte Moderna - MAM de São Paulo.

A exposição, que foi criada e exibida originalmente no Museu da Língua Portuguesa, fica em cartaz no Santander Cultural até 15 de fevereiro e terá diversas atividades simultâneas e de estímulo à leitura. Serão oficinas, encontros e sessões interativas com teatro, música e audiovisual no hall do instituto, com a participação de ONGs, atores e escritores convidados."

http://portalliteral.terra.com.br/artigos/exposicao-dos-mestres-nordestinos-gilberto-freyre-e-ariano-suassuna

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